MING

Junho 21, 2008

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Junho 21, 2008

Memória Futura

Junho 21, 2008

XXX L canvas, 2002
Martha Eggborn

Martha Eggborn é uma artista contemporânea Norte-Americana, que desenvolve o seu trabalho em torno da cultura ocidental, explora sobretudo um questionamento à moral e aos valores instituídos. Outro aspecto a salientar, é o uso que faz da Arte para criticar a própria Arte, explorando-a enquanto elemento capaz de sacralizar o banal.

XXX L canvas é uma obra composta por uma série de três telas de grandes dimensões, que exibem imagens de uma actriz porno, focando a mulher como produto sexual. Um dado importante é que quando são expostas, as telas são estrategicamente colocadas em locais que pelas suas reduzidas dimensões forçam o espectador a observa-las sempre a uma curta distância, impedindo-o assim, de ter uma percepção total da obra.

Ideia #4

Junho 12, 2008

Introdução:

Das ideias que proponho, esta procura abordar questões da sociedade actual mais universais.

Quando nascemos, necessitamos de protecção e de segurança, à medida que crescemos acostumamo-nos a ter segurança. A necessidade contínua de segurança torna os nossos actos previsíveis. Este factor é aproveitado pelas organizações, pelo poder, como forma de nos manipular a cumprir os seus propósitos, até já não sermos necessários. Mesmo que tenhamos consciência deste comportamento padrão, será muito difícil fazer alguma coisa, dado que as restantes pessoas terão medo de agir, pondo em causa a sua segurança. Sem a vontade da maioria das pessoas a sociedade não irá mudar. A ignorância, a falta de iniciativa, o medo face ao ridículo e em ultima instância, caso seja necessária, a Lei, são algumas das formas que levam as pessoas a não darem um passo em frente.

É sempre bom para o poder, seja institucional ou religioso, manter as pessoas na ignorância. Desviar as atenções para coisas sem importância, e enquanto todos continuarmos entretidos, não haverá mal algum. A apatia favorece o poder, dissolve a individualidade no padrão comportamental da sociedade. A diferença, é insistentemente ridicularizada, ou atacada, até se assumir o comportamento tido como normal e adequado, por outras palavras, quando voltamos a entrar para o rebanho…

Interesse/objectivos:

Mais que assumir uma postura explicitamente reivindicativa, pretendo confrontar as pessoas com uma metáfora de si próprias: um rebanho, tranquilo e ordenado, que segue tranquilamente a sua vida.

Universo em Estudo:

cidade do Porto

Método:

Partindo da ideia de rebanho, de uma massa cada vez maior de pessoas que seguem os mesmos comportamentos formatados por uma entidade superior, tendo um lugar marcado na nossa sociedade, pretendo difundir a imagem de uma ovelha através da técnica Stencil inserindo na imagem um número de série. Tal como sabemos, o stencil dá-nos a possibilidade de reproduzir várias vezes a mesma imagem, no entanto, e relacionando este aspecto com o meu trabalho, pretendo incluir uma variável que será a do número de série que, de certa forma, individualiza cada ovelha, como analogia a cada indivíduo. (por exemplo: 00001;00002;00003 etc.)

Cada ovelha irá ser marcada em sítios específicos da cidade do Porto e, quando os locais onde essas imagens se encontram são assinalados no mapa e unidos pela ordem do número de série, forma-se uma imagem ou frase que reflecte a posição do individuo na sociedade. No entanto, ainda estou à procura de uma imagem ou frase que sirva de conclusão para este tema.

Introdução:

Se perguntarmos na rua o que mais preocupa a população, a resposta será: o dinheiro, ou melhor, a falta dele. Se ignorarmos as duas falácias que cometi na frase inicial – ter generalizado e ter omitido o percurso da selecção nacional de futebol no europeu, essa sim, a grande preocupação do momento – a fim de não comprometer os seus propósitos, chegamos a um ponto que me interessa particularmente, a inegável importância do dinheiro actualmente.

Interesse/objectivos

Para além de me agradar a ideia de tentar dotar a falsidade de credibilidade, tenho outros interesses, como:

Conseguir que as pessoas comecem a olhar para o dinheiro (literalmente) como forma de ganhar mais dinheiro. Ou seja, se o dinheiro tem a capacidade de cegar e alimentar a ganância, penso que esta será uma forma irónica de o ilustrar, procuram a salvação no que mais os cega. Basicamente, pegar em alguns conceitos associados à noção abstracta de dinheiro, e transpô-los para um objecto físico, a nota.

Outro foco de interesse é a questão do valor relativo do dinheiro, ver até que ponto é possível valorizar um pedaço de papel que vale 5 euros. Para além disto, acabo por dar ênfase à história criada em torno de uma nota que passa por inúmeras mãos e, com ela, viaja a identidade de cada um, seja esta ou não representada sob a forma de um nome ou número.

Universo em Estudo:

cidade do Porto

Método:

Por a circular – em diferentes locais – algumas de notas de 5 euros com um nome e o respectivo número de telefone escrito quando efectuar algum pagamento.

Uns dias depois, pretendo espalhar pela baixa da cidade, cartazes – e neste caso quando falo em cartazes, refiro-me a folhas A4 fotocopiadas, sem grandes artifícios, ou pretensões de grafismos elaborados – que terão uma mensagem como:

PAGO 50 EUROS POR UMA NOTA DE 5

Perdi recentemente uma nota de 5 euros que tenho tentado a todo o custo recuperar.

A nota tem escrito um número de telemóvel de vital importância para mim. Sei apenas que o nome da pessoa é (nome), e que o número do telemóvel é da rede 91. Repito: Necessito de recuperar a informação. Estou disposto a pagar 50 euros.
Por favor, se alguém tiver a nota em seu poder, faça o favor de me contactar para o e-mail: (ainda a designar)

Introdução:

Recordo-me perfeitamente, como se fosse há uns anos atrás, no ano em que entrei para a FBAUP, em conversas com amigos, sempre que referia esse facto a resposta era quase inevitavelmente a mesma: “Belas-Artes? Ouvi dizer que lá são só freaks.” O que, como é óbvio, demonstrava uma ideia preconcebida e estereotipada da imagem do “artista” da nossa faculdade e do que se passa para lá dos altos muros que separam a nossa faculdade do exterior.

Será que esse espírito realmente existe? Será que somos assim tão diferentes, dispostos a ter atitudes alternativas? Nesta proposta pretendo apelar ao “freak” que existe em cada um de nós.

Interesse/objectivos:

Apelar a um comportamento dissidente. A possibilidade de expor o corpo mantendo o anonimato. Será que a protecção da identidade é suficiente para levar alguém a agir?

Muito sinceramente, de acordo com as minhas expectativas, será bastante inesperado se alguém participar. No entanto, pela temática em questão, espero que suscite pelo menos alguma curiosidade, que será ainda maior no caso de alguém participar.

Método:

Criar uma série de cartazes que apelam à participação dos colegas num projecto. O “embuste” será apresentado como sendo o trabalho de um colega (não identificado), que tem como tema central o exibicionismo, ou seja, a exposição do corpo em locais públicos, neste caso específico, no espaço da faculdade. O cartaz apela ao envio de imagens que serão posteriormente publicadas num blogue criado para o efeito. Será referida a importância da presença de elementos que permitam identificar as imagens como pertencentes ao espaço da faculdade, e também a questão do anonimato. As fotografias já deverão ser enviadas com todos os elementos que permitam uma identificação censurados. Este ponto visa essencialmente descontrair os possíveis participantes.

Há ainda uma outra hipótese para publicitar o projecto, criar alguns stickers com a forma de uma parra ou concha, que publicitem o endereço do blogue, e cola-los sobre as partes íntimas das estátuas da faculdade.

Introdução:

O número excessivo de imagens com que somos confrontados no espaço público tem gerado uma progressiva insensibilidade às mesmas.

Talvez a forma mais comum de abordar este problema, e imagino que seja também a grande dor de cabeça de muitas pessoas, é: como criar imagens que chamem a atenção?

Neste caso, a minha intenção é outra, pretendo justamente usar a informação que supostamente ninguém lê, ou já nem se dão ao trabalho de ler por tomá-la como um dado adquirido e subvertê-la.

Interesse/objectivos:

Entender a resistência e a visibilidade destas informações subvertidas.

Universo em Estudo:

FBAUP

Método:

Substituir alguns cartazes informativos, ou sinaléticas, por réplicas que mantenham sempre que possível a máxima fidelidade relativamente ao grafismo, mas introduzindo-lhes ligeiras descontextualizações no conteúdo. Por exemplo, alterar as folhas afixadas à porta do gabinete de Erasmus, etc.

As alterações serão sobretudo na linguagem, introduzindo propositadamente erros ortográficos, trocadilhos, etc. Nada de muito profundo, se possível apelar ao sentido de humor.